Juliana Antunes – Estudante on-line


Comentário sobre Cibercultura baseada na concepção de Pierre Lévy e 3 exemplos iustrativos da mesma.

Analisar o fenomeno da Cibercultura, sendo nós próprios actores do mesmo é como fazer uma avaliação de nosso próprio comportamento social nos dias de hoje. Foi esta a sensação que tive ao ler o livro Cibercultura de Perry Lévy e será esta análise, com uma abordagem pessoal que descreverei neste comentário.

Vivemos um momento de constante expansão do ciberespaço (ou rede), tanto ao nível tecnologico, com inovações que permitem melhores condições de utilização do universo digital, como ao nível de utilizadores, com uma crescente adesão de utilizadores. Entede-se o ciberespaço como meio de comunicação que surge da interconexão mundial de computadores, não apenas como meio físico da comunicação digital, mas também o conjunto infinito de informações que abriga e as pessoas que utilizam e alimentam este universo. (Pierre Lévy, Cibercultura, pag 17).

 As nossas atitudes, técnicas(materiais e intelectuais), práticas, modos de pensamento e valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço, é o que Lévy define por Cibercultura. Esta nova expressão cultural é universal sem totalidade, se constroí por meio da interconexão de mensagens entre si, pela interacção de quaisquer pontos do espaço físico, social e informacioal e por meio da vinculação com as comunidades virtuais, que favorece a sua capacidade de renovação permanente. (Pierre Lévy, Cibercultura, pag 17, 247)

A Cibercultura corresponde ao momento em que a nossa espécie, pela globalização económica, pelo crescimento das redes de comunicação e transportes, tende a formar uma única comunidade mundial. Esta comunidade através das sinergias, interacções e modos de cooperação flexíveis e transversais, potencializadas pela utilização do ciberespaço, promove o crescimento de sua inteligencia colectiva. Este conceito criado por Lévy, define uma inteligencia distribuída por todo lado, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta em mobilização efetiva das competências e cujo objectivo é a evolução e reconhecimento mútuo de todas as pessoas.

 Ao pensar na Cibercultura descrita por Lévy, penso nos exemplos de actividades que desenvolvo regularmente e que poderiam ilustrá-la. Profissionalmente, 80% do meu trabalho é realizado virtualmente, os contactos com os clientes são realizados prioriatariamente por correio electrónico, tenho colegas de trabalho afastados fisicamente cujo o contacto diário é feito por ferramentas de instant messaging. Por outro lado, utilizo as redes sociais para interagir mais activamente com familiares e amigos que não estão próximos e ainda para manter-me actualizada.

 As ferramentas de instant messaging, como o skype e o msn são mecanismos de virtualização da comunicação, tal comas conferências electrónicas, que permitem que grupos de pessoas discutam sobre assuntos especifícos e possibilitam uma comunicação directa entre todas as pessoas que estejam conectadas. Os indivíduos que se comunicam compartilham uma espécie de comunicação efêmera onde são inventados novos estilos de escrita e interacção. (Pierre Lévy, Cibercultura, pag 99).

Ao nível da linguagem adoptada nas ferramentas de mensagens instantaneas, devido ao uso de gírias ou texto abreviado para acelerar conversas e reduzir o tempo de digitação, algumas expressões utilizadas para transmitir emoções, passaram a ser mundialmente reconhecidas, como o LOL (Laugh(ing) Out Loud) e o smile 🙂 . Este fenômeno é um exemplo significativo da universalidade possibilitada pela Cibercultura.

Esta forma de comunicação, ganha cada vez mais relevância, com uma grande adesão de utilizadores, principalmente com a introdução destas ferramentas na comunicação móvel. Actualmente a maioria dos telemóveis permitem o acesso à Internet e trazem instalados as ferramentas de instant messaging para os seus utilizadores.

Outro exemplo da Cibercultura em nossas vidas, são as facturas electrónicas que podemos aderir, para de forma economicamente sustentável, colaborar com a diminuição do uso de papel e por seguinte, com a diminuição do desmatamento e presrvação do meio ambiente. Além da vantagem social que está explicita, é curioso observar como o correio electrónico está definitivamente aceito na sociedade como um meio de comunicação essencial. Há pouco tempo, um documento importante para as instituições, comas facturas aos seus Clientes, seriam impressos e enviados por correio tradicional. O correio electrónico popularizou-se e as questões de segurança, apesar de ainda serem críticas, deixaram de ser um empecilho para a utilização do e-mail como um meio de comunicação formal. Como previa Lévy, a utilização desta ferramenta de comunicação é das mais usadas no ciberespaço e tem se tornado cada vezmais multimodais ( com imagens, animações, hyperlinks), no lugar das mensagens originais que continham apenas texto.

Para concluir, queria fazer referência ao E-learning, como exemplo da Cibercultura. A Educação à distância que tem conseguido cada vez mais adeptos no lugar da educação presencial em sala de aula. Esta procura é fruto do interesse cada vez maior das pessoas pela diversificação e personalização, sendo também menos tolerantes com as formações rígidas que não correspondem as suas necessidades reais e especificidade de seu trajecto de vida.

“A grande questão da cibercultura, tanto no plano de redução de custos como no acesso a todos à educação, não é tanto a passagem do presencial à distância, nem do escrito e oral tradicionais à multimédia. É a transição de uma educação e uma formação estritamente institucionalizada ( a escola, a universidade) para uma situação de troca generalizada dos saberes, o ensino da sociedade por ela mesma, auto-sustentável, móvel e contextual das competências. Nese quadro, o papel dos saberes públicos deveria ser: garantir a todos uma formação elementar de qualidade.” (Pierre Lévy, Cibercultura, pag 172)

Espero que sim.

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